Soja brasileira deve ter safra recorde, e agro ganha fôlego com dólar alto
Super SAFRA
1/22/20252 min read


Os agricultores brasileiros devem entregar a maior safra de soja da história nos próximos meses e retomar, graças ao dólar valorizado, uma rentabilidade maior para o campo, mesmo com preços internacionais considerados baixos.
As estimativas variam na mesma direção: a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estatal ligada ao Ministério da Agricultura, projeta que a produção brasileira poderá chegar a 166 milhões de toneladas, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima 169 milhões de toneladas (40% da soja global) e algumas consultorias privadas chegam a prever 172 milhões de toneladas.
Para efeito de comparação, a produção na safra 2023/2024 foi estimada em 147 milhões de toneladas, representando uma redução de 4,5% em relação à safra anterior, que foi recorde, com 154 milhões de toneladas.
De acordo com a Agroconsult, uma consultoria especializada em commodities agrícolas, o recorde é fruto de um combo que inclui aumento de área, clima favorável no início do ciclo e boas condições de plantio na maioria dos estados produtores.
A produtividade - isto é, quanto cada agricultor consegue colher em média por hectare (10.000 metros quadrados) de lavoura - deve ultrapassar 60 sacas por hectare no país, contra 55 sacas na safra anterior, quebrada pela estiagem.
Pode parecer pouco para um leigo, mas a diferença causa estragos. O campo registrou recorde de recuperações judiciais por agricultores (um tipo de proteção judicial contra credores) e teve impacto na balança comercial do país no ano passado.
As receitas de vendas para o exterior de soja, que liderou a exportação brasileira em 2023, tiveram queda de 18% (US$ 42,08 bilhões até novembro), sendo ultrapassadas pelo petróleo (US$ 42,76 bilhões no mesmo período). Foi a primeira vez desde o início da série histórica, em 1997, que o petróleo superou o grão nas vendas para fora.
"No cenário internacional, a acentuada valorização do dólar em relação ao real torna o produto brasileiro mais atrativo para os compradores estrangeiros, fator que tende a impulsionar as exportações", afirma relatório do Cepea/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Universidade de São Paulo, em Piracicaba (SP).
Segundo o estudo, os contratos negociados em dólar para embarque nos portos brasileiros no primeiro semestre de 2025 foram fechados com cotações inferiores às registradas no mesmo período do ano anterior, com os valores internacionais também operando em níveis mais baixos. A saca é negociada em média a US$ 22.
fonte: uol
